
Sobre minha deficiência na inclusão profissional
Design para Todas as Mentes
Conviver com o transtorno bipolar é lidar, diariamente, com desafios que nem sempre são visíveis para os outros. Ainda assim, nunca permiti que isso definisse os limites dos meus sonhos. Pelo contrário: foi justamente ao enfrentar esses obstáculos que desenvolvi resiliência, disciplina e uma percepção mais profunda sobre o comportamento humano — elementos que hoje moldam minha atuação como UX Designer.
Minha trajetória não foi linear. Ingressar na faculdade, concluir a graduação e dar continuidade aos estudos com uma pós-graduação exigiu mais do que dedicação técnica — exigiu força emocional, adaptação constante e, acima de tudo, persistência. Hoje, aos 43 anos, continuo em evolução, provando que crescimento profissional não tem prazo de validade.
Essa vivência impacta diretamente a forma como enxergo o design. Para mim, UX não é apenas sobre estética ou usabilidade — é sobre empatia real. É sobre compreender que cada usuário carrega contextos, limitações e experiências únicas. Ao vivenciar uma condição invisível, desenvolvi uma sensibilidade maior para identificar fricções, sobrecargas cognitivas e barreiras que muitas vezes passam despercebidas.
Minha relação com a acessibilidade vai além de boas práticas: é pessoal. Entendo, na prática, o quanto interfaces confusas, fluxos complexos ou experiências mal planejadas podem afastar, frustrar e excluir. Por isso, busco criar soluções que sejam claras, inclusivas e acolhedoras — não apenas funcionais, mas verdadeiramente acessíveis para diferentes tipos de mente.
Acredito que o design tem o poder de reduzir desigualdades e abrir caminhos. E é justamente essa crença, somada à minha história, que direciona meu trabalho: projetar experiências que respeitem a diversidade humana em sua totalidade.
Porque, no fim, um bom design não é aquele que funciona para a maioria — é aquele que não deixa ninguém para trás.



